Os princípios éticos no jornalismo estão atrelados ao interesse público, às versões dos fatos e ao equilíbrio de fontes antagônicas.
Nisso há uma suposta oposição entre interesse público e particular.
Recai sobre as fontes a imputação de que fazem publicidade através de discursos particulares, travestidos de interesse público.
O interesse pela notícia é público e o interesse público é aquilo que a opinião pública diz que é.
Assim, o interesse público refere-se à possibilidade da sociedade se ver representada e satisfeita com o que ocorre na esfera pública.
Por isso, seu conceito – algo coletivo de relevância pública – seja vago e deslocado para a coisa pública.
Daí, torna-se difícil para o jornalismo adequar as razões da notícia ao entendimento do interesse público, e vice-versa.
Na dúvida, a mídia opta pelo interesse do seu público, que é destacar o que afeta o maior número de seus leitores, telespectadores, ouvites, internautas. Portanto, “público”, para a mídia, é sinônimo de audiência.
O “interesse público”, na perspectiva do bem-estar geral, tem valor próprio, o mesmo não ocorre no “interesse do público” (audiência), incapaz de produzir evidência moral.
Então ocorre uma ambivalência, um bifronte, uma apropriação do capital simbólico – público – pelos jornalistas e fontes, ao que melhor lhe convier. O que os diferenciam, e às vezes conflitua, é a forma de trabalhar a informação.
Afinal, a ética jornalística conflita com o interesse privado? As fontes de notícias passaram a gerar com competência eventos, temas e conteúdos jornalísticos irrecusáveis. Neste processo, segundo Manuel Carlos Chaparro (1):
De um lado estão os jornalistas e seu obrigatório vínculo ao interesse público; do outro, as organizações, em ações determinadas pela prioridade do interesse particular.
Isso gera conflito, conforme Francisco José Karam (2):
Quando o acontecimento vem num pacote de fatos ou declarações, a título de interesse público, embalado numa retórica eficaz e, do ponto de vista ético, subsumido em certo cinismo.
Para Chaparro (1) isso representa um falso conflito:
Porque não se deve cair na simplificação de ver no interesse público o valor que se opõe ao interesse particular. Essa seria a lógica moralista, como se de um lado estivesse o bem, e do outro, o mal.
Os jornalistas não temem nem desprezam o interesse privado, pois são legítimos e representam os conflitos da atualidade. São dos discursos conflitantes e intesses privados que surgem muitas notícias.
Aliás, o que se opõe a um interesse particular é outro interesse particular.
Seja qual for o entendimento, os valores e princípios da ética jornalística devem prevalecer, mesmo onde não fizer sentido nem tiver cabimento.