A interação entre jornalistas e fontes de notícias envolvem uma série de conflitos e acordos.
O jornalismo vale-se dos conflitos, diversidade de ideias, variedade de opiniões, multiplicidade de interesses e da complexidade das relações humanas.
Esses atributos são protagonizados pelas fontes jornalísticas e percebidos pelo público pela notoriedade, surpresa, utilidade, dramaticidade, suspense, conhecimento e pelo inusitado.
As fontes empresariais e institucionais, principalmente, primam pela precisão técnica, rigor dos dados, narrativa unilateral e evitam notícias sobre discussões em curso.
Mas os jornalistas preferem tornar público o momento transitório para que a sociedade interfira no debate.
Nessa interlocução viva e interessada, as fontes presumem que a sua versão não será distorcida.
Já os jornalistas acreditam que as fontes falam a verdade sobre seus fatos e eventos.
No afã de fazer revelações de impacto, a mídia atropela alguns limites, em nome de um suposto interesse público, que ela mesma estabelece.
Sobrepõe direitos, imagem e reputação, sem resguardar a idoneidade das organizações e pessoas, ainda que a liberdade de imprensa não autorize tudo.
Por conta disso, as fontes assumem uma posição de cautela e tentam reagir.
As suas reações podem parecer equivocadas, surpreendendo o processo tradicional de apuração, como ocorreu no Blog da Petrobras, Fatos e Dados, em meados de 2009.
Este blog postou as perguntas dos repórteres e as respostas da estatal, antes da veiculação pela imprensa, o que se considerou “vazamento” de informações obtidas pelos jornalistas e quebra de confiabilidade.
Essa estratégia foi inicialmente adotada em 2002, nos Estados Unidos, em que o Ministério da Defesa publicava as entrevistas do secretário Donald Rumsfeld no blog DefenseLink, antes da veiculação na mídia.
As fontes defendem a liberdade de expressão e de imprensa, mas ainda não assimilam nem aprenderam a conviver com o jornalismo crítico e investigativo.
Mas os jornalistas desempenham um papel cívico, nem sempre transparente perante o público, tampouco para as fontes.
Os jornalistas utilizam de um recurso de linguagem, notadamente o futuro do pretérito, como condicional – suposto, envolvido – para indicar incerteza e expor pessoas.
O público assimila essa suposição como fato consumado.
Em geral, as fontes reclamam que os repórteres deturpam as suas declarações e os fatos, que pinçam frases fora do contexto.
Os jornalistas defendem-se alegando subordinação a um regime de pressa, de corrida contra o tempo e espaço, o que faz incorrer em erros e distorções, raramente premeditados.
Argumentam que este é o preço que se paga para a sociedade usufruir da livre circulação de informações e ideias.
A próxima postagem irá tratar dos direitos das fontes de notícias.
[...] o comentário na íntegra de Aldo Antonio Schmitz, mestrando da UFSC e pesquisador do [...]