Além dos conflitos e acordos entre jornalistas e fontes de notícias, existem algumas questões éticas e deontológicas que beiram à promiscuidade.
Max Weber, um dos principais pensadores do jornalismo, observou essas questões na palestra que fez na Universidade de Munique, em 1919.
Embora discordasse e reconhecesse a importância da profissão, disse que “o jornalista pertence a uma espécie de párias que a sociedade julga a partir de seus representantes mais indecorosos”.
Aliás, esse intercurso sucede-se desde os primórdios, inclusive no princípio da assessoria de imprensa, quando o jornalista Ivy Lee começou a orientar empresários americanos no relacionamento com a imprensa, no início do século XX.
Lee é acusado de fazer o jogo sujo, com a oferta de emprego duplo, pagamentos de propina, favores escusos, fartos jantares, brindes caros e viagens turísticas para os jornalistas.
Mas, as arrogâncias e chantagens encontram-se em ambos os lados. A começar pela demonstração de poder da profissão, em que alguns jornalistas utilizam o expediente do “carteiraço”.
Fazem isso como forma de obter vantagens pessoais, intimidar ou ameaçar as fontes, que se inquietam pela empáfia onisciente, a força de seus questionamentos, a informação a qualquer preço e o poder de tornar público a versão imprevisível de um fato ou evento.
Do outro lado, as fontes plantam notícias, distribuem releases mentirosos, querem somente divulgação favorável, barram notícias, fazem retaliações com cortes de verbas publicitárias, escondem-se dos fatos como avestruz etc.
Enfim, há uma série de práticas que depõem contra a ética no jornalismo, que abordaremos nas próximas postagens.
Olá,
Aldo,
bem, o estudo sobre a participação das fontes no ciberespaço requer atenção sobre a praxis jornalística, já que há uma mudança na rotina dos profissionais e no processo de produção de informação. Eu penso que é preciso ter cautela no momento de avaliar os fluxos de informação que estão sendo produzidos na internet.
Me assusta alguns jornalistas estarem chamando a participação das fontes de jornalismo colaborativo.
A gente tem que começar a refletir o que nós estamos chamando de jornalismo e se é verdade que jornalismo pode ser feito por qualquer um, de qualquer forma.
Na emergência de produzir informação de forma contínua, estamos chamando qualquer coisa de informação. Acredito que isso deve ser um alerta vermelho para pesquisadores da área de comunicação. Deixar que a fonte participe é uma coisa, encarar a fonte como repórter é outra.
Acho relevante que mantenha o Blog para discutir e ouvir reflexões. E será um prazer receber sua contribuição toda segunda-feira.
Abraço,
Brena, este seu olhar é pertinente. O jornalismo vive dias pertubadores, que requer reflexões como as suas.