Do ponto de vista ético considera-se condenável servir a dois senhores, prestando serviços ao jornalismo na mídia e às fontes de notícias.
O jornalista pode participar de anúncio comercial? Embora não seja ilegal, mas diante da deontologia, a propaganda e o exercício do jornalismo são incompatíveis.
Compromete a credibilidade de quem informa corretamente o público e busca a verdade dos fatos.
Alguns veículos consideram a possibilidade de seus jornalistas atuarem em anúncios, desde que em campanhas de interesse público.
Igualmente, a ética condena a prática do duplo emprego, trabalhando simultaneamente na imprensa e para outros tipos de organizações.
Embora banido da grande imprensa, ainda persiste, como vestígio da extinta Lei de Imprensa, de 1967, e da regulamentação da profissão de jornalista, de 1968.
Ambas as leis admitiam o acúmulo de emprego, acatado e defendido pelos jornalistas brasileiros.
O pagamento a jornalistas ou aos veículos para publicar notícias favoráveis configura-se outra prática inadmissível, conhecida como “jabaculê”.
O “jabá” tem raiz no “jeton”, subsídio financeiro do poder público para a cobertura de eventos pelos repórteres, como forma de cooptação.
Além de favores e privilégios, o “jeton” era uma forma de completar os baixos salários pagos aos jornalistas.
Esta prática vigorava deste o Estado Novo, do presidente Getúlio Vargas, que criou em 1939, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), até meados do século XX.
No entanto, o “jabá” perdura, principalmente nos pequenos veículos do interior, mas também na grande imprensa, disfarçado de “informe publicitário”.
Aliás, as reportagens pagas constituem-se uma prática danosa ao jornalismo. Mesmo travestidas de publieditorial, publicidade paga com feitio de matéria jornalística.
Isso ludibria o público, ao agregar a credibilidade do jornalismo a um anúncio publicitário. Portanto, uma promiscuidade explícita entre informação e propaganda.
Nesse caso, as questões éticas envolvem o anunciante e o veículo, que não se imunizam ao publicar, de forma imperceptível, expressões como “publieditorial” e “informe publicitário”.
A ética jornalística e a transparência recomendam uma nítida separação entre editorial e publicidade.
Estas são algumas questões éticas das fontes de notícias e da deontologia dos jornalistas, que beiram à promiscuidade, e continuam como tema das próximas postagens.