De forma tácita, a maioria das fontes arroga direitos, alguns não reconhecidos pelos jornalistas, outros renegados pelos assessores de imprensa e ainda não assimilados pelo público.
Uma das características da pesquisa de opinião é a possibilidade de comparar com outras similares, aplicadas anteriormente.
Por isso, realizamos um survey, respondido por 440 fontes, jornalistas e assessores de imprensa para atualizar a pesquisa realizada pelo Instituto Gutenberg, em 1995.
O objetivo foi verificar se persistem as questões levantadas à época, incluindo agora, além das fontes, as opiniões dos jornalistas e assessores de imprensa sobre os mesmos quesitos.
Aquela pesquisa tinha o propósito de criar no Brasil um código de direitos das fontes de informação.
A pesquisa do Instituto Gutenberg foi aplicada entre 149 fontes, entre banqueiros, empresários, administradores de empresa, comerciantes e profissionais liberais brasileiros.
Por sua vez, ela foi inspirada no código de relacionamento das fontes com a mídia do Centro Nacional de Vítimas da Imprensa, com sede em Forth Worh, no Texas, EUA.
A nossa pesquisa para o Mestrado em Jornalismo, comparação à pesquisa anterior, mostra uma nítida evolução da consciência das fontes sobre os direitos consagrados nos códigos deontológicos dos jornalistas.
E, ao mesmo tempo, um recuo nas questões controvertidas, notadamente naquelas que os jornalistas não aceitam como suas condições.
Nota-se que a pesquisa do Instituto Gutenberg apontava um certo descontentamento das fontes sobre as abordagens dos jornalistas, sugerindo procedimentos opostos, confrontando com as prerrogativas invocadas pela mídia.
Questões como recusar-se a dar entrevista, e, se aceitar, escolher a hora e local, inclusive podendo designar um porta-voz, permanecem em equilíbrio, mesmo que alguns jornalistas não reconheçam esse direito.
No entanto, quando o assunto é rejeitar um determinado repórter e informar que concede entrevista apenas a outro, há uma substancial diferença entre as duas pesquisas, denotando que as fontes já perceberam que não podem interferir na escolha.
Isso também fica claro na opinião de jornalistas e principalmente de assessores de imprensa, que veem nisso uma afronta ao bom relacionamento.
Algumas fontes empresariais negam-se a ser fotografadas ou filmadas durante uma entrevista, normalmente sob a alegação de sequestros.
Este argumento não convence os jornalistas, mas considerado pelos assessores de imprensa, que tentam preservar a imagem e segurança de quem assessoram.
Para as fontes e assessores, perguntar ofende, pois consideram alguns questionamentos impróprios e desrespeitosos.
Mas para a maioria dos jornalistas todas as perguntas são pertinentes e as fontes podem responder como quiser.
Outras questões que os jornalistas não reconhecem como direitos das fontes: ler e revisar as declarações que lhes forem atribuídas, alterar os depoimentos já dados, antes da publicação, e não ter suas informações confidenciais publicadas.
A pesquisa atual mostra um recuo das fontes nessas questões, acompanhadas pelas assessorias.
Há um consenso geral, entre os agentes e apontado nas pesquisas, referente ao direito da fonte de obter retificação de informações publicadas de forma errada, embora discuta-se o direito de resposta, podendo-se processar os jornalistas e veículos por calúnia, injúria e difamação.
Mesmo que seja um desejo das fontes e seus assessores, a maior parte dos jornalistas não admite informar com antecedência todo o teor da pauta.
Nem revelar a identidade de quem faz alguma acusação, no caso de fontes anônimas.
Para os profissionais da mídia, as fontes não podem omitir os fatos.
Mas elas arrogam o direito de não produzir provas contra si, pois não há lei nem código de ética que obrigue a contar o que não querem.
Mas, em nome da transparência, o índice caiu.
Ainda não podemos apresentar os números absolutos da pesquisa, pois são da dissertação do mestrado, que exige sigilo e trabalho inédito.
muito interessante a pesquisa. sugiro estratificar os resultado por categoria de fontes – públicas, privadas, cooporativas, individuais – e dos profissionais por genero e tipo de empregador
Chico, a pesquisa é da minha dissertação de mestrado, que tem com objeto de pesquisa as fontes empresariais e os jornalistas são das editorias de economia e negócios e os assessores são profissionais que atuam em empresas, agências de comunicação e freelance.
Ótimo trabalho, porém, já que você é jornalista que apoio bibliográfico você está buscando para fundamentar sua análise no ambiente jornalístico?
Abraço,
Brena
Brena, as referências são inúmeras e constam no item Bibliografia
Sugiro o livro do Chaparro, A Revolução das Fontes.
Abraço,
Brena.
Brena, o livro “Revolução das fontes”, o professor Chaparro está prometendo desde 2002, ainda não foi lançado, mas ele promete para breve.
Achei muito interessante a pesquisa, já que aborda lados que disputam espaço na mídia: entrevistador e entrevistado. Com os novos mecanismos de comunicação, a fonte tá em busca de alternativas para não gerar prova contra si, sabe como lidar e já não é aquele que apenas responde, escuta, concorda e lê, vê e escuta no outro dia sua palavras sendo divulgadas.
E o jornalista sempre dominado pelo ego, tenta de “n” maneiras, conseguir o tão sonhado off, que pelo que mostra a pesquisa já está caindo por terra. Muito legal, já que estamos falando de comunicação social, e o princípio básico da comunicação é a troca de informações e não apenas o engessamento e embasamento por meio de manuais e códigos.
As coisas estão mudando, e tem que mudar.
Parabéns pela dissertação, e compartilhe quando estiver pronta.
Att,
Alessandra.
Alessandra, seu comentário contextualiza o jogo de forças entre fontes e jornalistas. Assim que apresentar o trabalho irei disponibilizar os resultados aqui no blog. Obrigado pelo post e pelo incentivo.